
Por: Camisola brasileira
Houve um tempo em que o futebol sul-americano era território intransponível para o conhecimento tático europeu. Esse paradigma, contudo, ruiu por completo. O que começou com uma aposta audaz do Flamengo em Jorge Jesus, em 2019, transformou-se numa autêntica hegemonia lusitana. Hoje, olhar para o palmarés da Copa Libertadores é, em larga medida, ler uma lista de nomes moldados pelas escolas de formação de Rio Maior e pelas bancadas da nossa Liga.
A "Revolução Jesus" e a Mudança de Patamar
Foto: Alexandre Vidal - (Flickr/Flamengo)

A história desta "invasão" tem um marco zero bem definido: a chegada de Jorge Jesus ao Rio de Janeiro. O técnico amadorense não se limitou a vencer; ele reescreveu a forma como se pensa o jogo no Brasil. Com um futebol de vertigem, pressão alta e uma exigência profissional quase militar, o "Mister" abriu as portas para que os emblemas brasileiros passassem a olhar para Portugal não como um destino de jogadores, mas como um berço de estrategas.
Antes de Jorge Jesus, o único não sul-americano a vencer o torneio continental fora o croata Mirko Jozić, em 1991, treinando o Colo-Colo, do Chile.
Abel Ferreira: O Colecionador de História
Foto: Cesar Greco/Flickr/Palmeiras

Se Jesus abriu a porta, Abel Ferreira deitou-a abaixo. Ao serviço do Palmeiras, o técnico natural de Penafiel alcançou o que muitos consideravam impossível para um estrangeiro: um "bi" consecutivo (2020 e 2021). Abel tornou-se mais do que um treinador; transformou-se numa figura de culto, provando que a resiliência e a organização tática portuguesa conseguem sobreviver ao calendário asfixiante e à pressão desmedida do futebol transatlântico. O ex-atleta do Sporting tornou-se o maior vencedor não sul-americano do torneio, com dois títulos consecutivos.
Artur Jorge e a Consolidação do Império
Foto: Flickr/Botafogo F.R.

O sucesso mais recente de Artur Jorge, ao levar o Botafogo ao topo do continente em 2024, é a prova final de que este fenómeno não é passageiro. O antigo técnico do Braga confirmou que o ADN dos treinadores portugueses — caracterizado pela versatilidade e pela capacidade de leitura de jogo em tempo real — se adapta como nenhum outro ao caos criativo da Libertadores.
O Empate com os Brasileiros nos últimos 10 anos
Após a vinda de Jesus, o futebol brasileiro e sul-americano ganhou uma escola que o rivalizasse no continente. Com quatro triunfos para cada nacionalidade, Portugal e Brasil dividem o topo dos treinadores vencedores nos últimos 10 anos:
Brasil 🇧🇷: 4 Títulos (Filipe Luís, Fernando Diniz, Dorival Júnior, Renato Gaúcho)
Portugal 🇵🇹: 4 Títulos (Artur Jorge, Abel Ferreira [2x], Jorge Jesus)
Argentina 🇦🇷: 1 Título (Marcelo Gallardo)
Colômbia 🇨🇴: 1 Título (Reinaldo Rueda)
Apesar de uma larga discussão em solo brasileiro sobre a "estrangeirização", atualmente o treinador português é o "objeto de desejo" dos grandes clubes da América do Sul. Deixámos de ser o país que exportava apenas navegadores para sermos a nação que exporta os capitães que melhor conduzem os colossos brasileiros aos portos seguros da vitória. A Copa Libertadores, outrora fechada sobre si mesma, fala agora com um sotaque vincadamente luso.
Texto gerado por IA
Foto destaque: Google Gemini (Nano Banana)

