Introdução
A goleada sofrida pelo Palmeiras por 4 a 0 diante do Novorizontino, na última quarta-feira, acendeu um sinal de alerta entre torcedores e parte da imprensa esportiva. Mais do que um resultado isolado, a atuação reforçou a sensação de que o início da temporada 2025 é apenas a continuidade do baixo nível de futebol apresentado pelo clube ao longo de 2024. Ataque pouco criativo, uso excessivo de ligações diretas e uma defesa vulnerável levantam a principal questão do momento: o trabalho de Abel Ferreira dá sinais de esgotamento?
Repetição de problemas e uma goleada histórica
A derrota para o Novorizontino expôs fragilidades que já vinham sendo observadas. O Palmeiras apresentou novamente dificuldades na construção ofensiva, apostando em bolas longas da defesa para o ataque, com pouca articulação no meio-campo. Para agravar o cenário, a equipe sofreu quatro gols — algo que não acontecia desde a goleada por 5 a 1 para a Chapecoense, em 4 de outubro de 2015, quase onze anos atrás.
Mesmo enfrentando um adversário que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro há três temporadas, o Palmeiras mostrou-se desorganizado defensivamente e sem poder de reação ao longo da partida.
Críticas da imprensa e o discurso de Abel
Após o jogo, críticas contundentes vieram da imprensa. O jornalista Marcelo Bechler, da TNT Sports, questionou a falta de ideias e de caminhos diferentes adotados pela comissão técnica para tentar reverter a má fase. Segundo ele, o Palmeiras parece não apresentar alternativas táticas capazes de surpreender os adversários.
Na coletiva pós-jogo, Abel Ferreira atribuiu a goleada a fatores anímicos. Para o treinador, a falta de concentração e a baixa intensidade explicam o desempenho ruim da equipe. Abel chegou a afirmar que, quando o time está concentrado, é capaz de vencer qualquer adversário, mas que a desconcentração também permite derrotas inesperadas, mesmo contra equipes de divisões inferiores.
Pressão, temperamento e calendário apertado
Outro ponto levantado pela análise da TNT Sports veio do jornalista Vitor Sérgio Rodrigues, que destacou o temperamento de Abel Ferreira, descrevendo-o como alguém de “pavio curto” há algum tempo. A situação se agrava por se tratar de um início de temporada complicado, com jogos desde o dia 10 de janeiro e um calendário especialmente apertado em função da Copa do Mundo de Seleções no meio do ano.
Esse contexto exige maior capacidade de gestão emocional e adaptação tática, aspectos que, até o momento, parecem não estar funcionando plenamente no Palmeiras.
Vitória no clássico que não convenceu
No fim de semana, o Palmeiras venceu o clássico contra o São Paulo, mas a atuação esteve longe de tranquilizar a torcida. O time tricolor dominou boa parte da partida e, em diversos momentos, foi superior, aumentando a desconfiança dos palmeirenses quanto a uma evolução consistente da equipe nos próximos compromissos.
Elenco curto e desafios imediatos
A pressão sobre Abel Ferreira tende a crescer com o início do Campeonato Brasileiro. Até o momento, o clube anunciou apenas um reforço para a temporada: o volante Marlon Freitas, vindo do Botafogo. Embora a diretoria monitore o mercado, não há novidades concretas sobre novas contratações.
O próximo desafio será contra o Atlético Mineiro, na quarta-feira, dia 28, às 19h (horário de Brasília), com transmissão pelo Sportv e Premiere. A partida surge como mais um teste importante para avaliar se o Palmeiras conseguirá mudar sua postura dentro de campo.
Conclusão
Entre resultados irregulares, críticas da imprensa, discurso contestado e limitações táticas, o Palmeiras inicia 2025 cercado de dúvidas. A goleada para o Novorizontino não foi apenas um tropeço, mas um retrato de problemas recorrentes. Resta saber se Abel Ferreira conseguirá encontrar soluções para reverter o cenário ou se o clube realmente se aproxima do fim de um ciclo vitorioso, porém desgastado.
Ass: Ecko