
O Botafogo de Futebol e Regatas vive um dos momentos mais delicados de sua recente trajetória administrativa. A FIFA condenou o clube ao pagamento de uma multa de US$ 150 mil (cerca de R$ 792 mil) pelos atrasos nas parcelas da negociação envolvendo o meia Álvaro Montoro, contratado junto ao Vélez Sarsfield. O débito total, somadas parcelas em aberto, juros e encargos, ultrapassa US$ 2,85 milhões (aproximadamente R$ 15 milhões).
A decisão reforça o cenário de pressão fora de campo e se soma a um problema ainda mais grave: o transfer ban aplicado ao Botafogo no processo envolvendo Thiago Almada, comprado do Atlanta United. Após o não pagamento dos US$ 21 milhões previstos no acordo e a negativa de recurso na Corte Arbitral do Esporte (CAS), o clube segue impedido de registrar novos jogadores por até três janelas de transferências, enquanto a pendência não for solucionada.
Na prática, a sanção não impede negociações ou assinaturas de contrato, mas bloqueia o registro de atletas no BID da CBF, inviabilizando a utilização de reforços em competições oficiais. A SAF alvinegra, liderada por John Textor, afirma manter tratativas para regularizar os débitos e encerrar a punição.
Debate público e enquete refletem divisão da torcida
A situação gerou forte repercussão entre torcedores, comunicadores e influenciadores ligados ao Botafogo. Durante o programa Arena News, do canal Arena Alvinegra, no YouTube, os apresentadores Bernardo Gentile e Pedro Dep promoveram uma enquete ao vivo que sintetizou o dilema vivido pelo clube neste início de temporada.
A pergunta foi direta: “O que você prefere: empréstimo maluco ou transfer ban?”. Ao final da votação, que contou com mais de 800 participações, o resultado mostrou uma torcida dividida, mas majoritariamente resignada com o cenário atual:
63% dos votantes preferiram a manutenção do transfer ban, apostando na resolução financeira antes de novas contratações;
37% optaram por um “empréstimo maluco”, como alternativa emergencial para reforçar o elenco a curto prazo.
A enquete gerou intenso debate no chat ao vivo do programa, com críticas à gestão, ironias e questionamentos sobre o modelo de administração adotado pela SAF, refletindo o clima de insatisfação e incerteza entre os alvinegros.
Pressão sobre Textor também cresce na Europa
O desgaste envolvendo John Textor não se limita ao Brasil. Na França, torcedores do Olympique Lyonnais já articulam protestos para impedir a participação do empresário americano em reuniões e decisões do clube, em meio a críticas sobre gestão esportiva, planejamento financeiro e prioridades do grupo multiclubes.
Na Bélgica, o cenário é semelhante. Torcedores do RWDM também vêm manifestando insatisfação com a administração conduzida por Textor, apontando falta de clareza no projeto esportivo e decisões consideradas desconectadas da realidade local. As reclamações em diferentes países ampliam o debate sobre os efeitos do modelo de gestão centralizado em um único controlador.
Foco no campo: estreia contra o Cruzeiro
Em meio ao turbilhão extracampo, o Botafogo tenta manter o foco esportivo. O time estreia no Campeonato Brasileiro diante do Cruzeiro, no Estádio Nilton Santos, buscando iniciar a competição com um resultado positivo apesar das limitações impostas pelo transfer ban.
O técnico Martín Anselmi tem ajustado a equipe com o elenco disponível e soluções internas, priorizando organização e equilíbrio tático.
Escalação provável do Botafogo
Para o duelo contra a Raposa, a tendência é que o Alvinegro entre em campo com a seguinte formação:
Botafogo:
Neto; Mateo Ponte, Marçal e Alexander Barboza; Vitinho, Allan, Danilo, Montoro e Alex Telles; Artur Victor e Arthur Cabral.
A formação indica um time com forte ocupação do meio-campo, laterais participativos e Arthur Cabral como referência ofensiva, enquanto Artur Victor atua com mobilidade e recomposição pelos lados.
Cenário de incerteza e cobrança
A combinação entre multas da FIFA, transfer ban e pressão internacional sobre John Textor coloca o Botafogo em um momento decisivo da temporada. Enquanto a diretoria corre para resolver pendências financeiras e restaurar a credibilidade institucional, o clube tenta, dentro de campo, transformar organização e competitividade em resultados.
O duelo contra o Cruzeiro surge, assim, não apenas como um jogo de estreia, mas como um teste de resistência esportiva em meio a um dos períodos mais turbulentos da era SAF.
Foto destaque: Álvaro Montoro jogador do Botafogo (Reprodução/Vitor Silva/Instagram/@botafogo)



